Depois de perder alguns patrocinadores, o atleta maratonista Solonei Rocha da Silva começou a ter dificuldades para realizar alguns exames que podem ajudá-lo a melhorar seu rendimento no esporte.

Com apoio do seu fisiologista Dr. Thiago Fernando Lourenço e da Faculdade São Leopoldo Mandic, Solonei recebeu suporte para realizar exames de sangue e de imagem gratuitos na Clínica Escola MEDMANDIC, em Campinas, no início do mês de março.

A MEDMANDIC é uma clínica escola da São Leopoldo Mandic, que atende a população com atenção, qualidade e preços acessíveis. A clínica possui alguns projetos sociais que acontecem ao longo do ano, e que oferecem descontos e até consultas gratuitas dentro de campanhas específicas.

“Eu vejo como uma grande vantagem o atleta ter acompanhamento médico regular e não apenas com a medicina esportiva, mas também com o fisiologista. Isso ajuda a melhorar o desempenho no esporte de alto rendimento”, afirma Solonei.

O maratonista conta que, além do acompanhamento com fisiologista, também tem a assistência de uma médica do esporte e dele próprio, que é graduado em educação física desde 2016. “Eu também me treino. Somos três profissionais traçando a melhor estratégia de treinamento”, ressalta o atleta.

O trabalho do fisiologista

“Meu trabalho com ele é orientar as avaliações e os treinamentos. Faço o controle do quanto e como ele corre para aumentar o seu desempenho e minimizar as lesões. É exatamente para esses objetivos que fizemos esses exames”, explica Dr. Thiago, que também é professor na SLMANDIC.

O fisiologista explica que os resultados dos exames podem indicar, por exemplo, se o treino deve ser intensificado ou se o atleta precisa descansar mais tempo do que o previsto. “Os exames fornecem indicativos para ajustes nutricionais que potencializam o desempenho do atleta durante os treinos e as corridas”, esclarece ele.

Uma história de lutas

Solonei conta que começou a correr por acaso, por influência de um amigo, que trabalhava com ele em uma fábrica de couro em Penápolis, no interior de São Paulo, onde o atleta nasceu. “Ele sempre me falava, quando me via jogando futebol, que eu não parava de correr e que eu corria muito”.

O amigo sempre convidava Solonei para participar das corridas da região noroeste paulista. Até que um dia ele aceitou e não parou mais de correr.

A primeira vitória aconteceu em uma corrida de funcionários da fábrica de couros. Solonei ganhou em primeiro lugar, sem nenhum preparo ou calçado adequado. “Corri com chuteiras de futebol society e mesmo assim consegui ser campeão”.

A segunda vez que ele competiu foi motivada pela necessidade de pagar o aluguel e comprar alguns móveis. “Faltava dinheiro para que eu pudesse comprar os talheres”, relembra o atleta.

Ele ficou em terceiro lugar, ganhou cem reais, comprou os talheres e despertou para o esporte. “Foi aí que percebi que eu devia começar a treinar de verdade e me dedicar ao atletismo”.

Nessa época, Solonei tinha 26 anos e trabalhava na coleta de lixo em Penápolis. “Como gari eu fazia um trabalho de fortalecimento constante. Era um treino de corrida com peso. Eu devo muito à coleta de lixo por causa da preparação física que me proporcionou”, fala o maratonista.

Porém, ele também tem lembranças duras daquele tempo. “Era ruim a fumaça do caminhão, o trânsito, a falta de asfalto em muitos lugares, o cheiro do lixo, o sobe e desce do caminhão que impacta as articulações. Cheguei a me cortar com caco de vidro”.

As mudanças proporcionadas pelo esporte

“Hoje eu não preciso correr com o saco de lixo na mão, mas continuo correndo”, afirma Solonei que tem muitas conquistas para celebrar e que foram proporcionadas pelo esporte.

O atleta conta que voltou a estudar – ele tinha parado na 8ª série – e se formou em educação física. Além disso, viajou para quase todos os continentes e aprendeu a falar espanhol de tanto ir treinar nas altitudes elevadas da Colômbia.

Solonei também afirma que já realizou seu maior sonho de criança, que era ser militar. Em 2013, ele entrou para o Exército Brasileiro, e hoje é 3º Sargento e participa do programa das forças armadas voltado para os esportes de alto rendimento. “O meu trabalho no exército é correr”.

Vitórias

Solonei coleciona inúmeros títulos como atleta, mas o reconhecimento popular chegou em 2012, quando ele foi campeão da 18ª Maratona Internacional de São Paulo. Ele voltou a vencer a competição em 2018, na sua 24ª edição.

O atleta ainda conquistou o ouro na maratona dos Jogos Pan-Americanos, de 2011, em Guadalajara, no México. Em 2013, participou do Campeonato Mundial de Atletismo, em Moscou, ficou com a 6ª colocação e fez a sua melhor marca pessoal.

Para continuar vencendo no esporte, Solonei espera conseguir novos patrocinadores. Ele está sem o salário do clube onde treina, em Campinas, desde o início deste ano. “No Brasil, é comum a ideia de que o atleta não precisa de dinheiro. Mas o atleta também paga conta e tem dívidas como qualquer outra pessoa. Além disso, a gente tem uma vida curta dentro do esporte”, reflete.