Em 2025, pela primeira vez, o Instituto Brasileiro de Estatística (IBGE) divulgou dados do Censo Demográfico de 2022 relacionados aos Transtornos do Espectro Autista (TEA) no Brasil. De acordo com as informações apresentadas, cerca de 2,4 milhões de brasileiros estavam dentro do espectro autista naquele ano.
A divulgação desses dados representou um marco histórico, já que, até então, o país não contava com informações oficiais sobre o TEA.. Esse marco também ampliou o debate sobre visibilidade, inclusão e a necessidade do fortalecimento de políticas públicas voltadas às pessoas no espectro. Isso porque, apesar de relativamente conhecidos, os Transtornos do Espectro Autista ainda enfrentam desafios importantes. Entre eles estão o preconceito, a desinformação e o pouco entendimento da população sobre suas necessidades específicas.
Neste artigo, você vai entender o que são os Transtornos do Espectro Autista, como se manifestam e quais são os critérios atuais para diagnóstico e tratamento.
O que são os Transtornos do Espectro Autista?
Anteriormente, os Transtornos do Espectro Autista eram subclassificados de acordo com as características e intensidade das manifestações do transtorno. Nomes como autismo clássico, síndrome de Asperger e transtorno desintegrativo da infância faziam parte dessas classificações. No entanto, devido às inúmeras sobreposições entre os quadros, essa divisão deixou de ser considerada funcional do ponto de vista clínico.
Assim, a comunidade científica passou a utilizar a definição de Transtorno do Espectro Autista, que engloba as diferentes apresentações do transtorno em um único espectro.
Os Transtornos do Espectro Autista (TEA) são transtornos do neurodesenvolvimento se caracterizam por dificuldades persistentes na comunicação e na interação social, associadas a padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. As manifestações variam amplamente entre os indivíduos, tanto em tipo quanto em intensidade e frequência.
Sinais e sintomas dos Transtornos do Espectro Autista
Os sinais e sintomas do TEA podem se manifestar logo no primeiro ano de vida. No entanto, devido à variação na intensidade das manifestações, é comum que alguns sinais passem despercebidos até a idade escolar.
Independentemente do momento em que surgem, duas características centrais costumam estar presentes:
- Déficits na comunicação e interações sociais: incluem dificuldade para iniciar ou responder a interações sociais, limitações na compreensão de linguagem corporal e sinais não verbais, dificuldade em ajustar o comportamento ao contexto social e desafios para estabelecer e manter amizades.
- Padrões de comportamento, interesses e/ou atividades repetitivos e restritos: podem se manifestar por meio da repetição de falas ou movimentos e da adesão rígida a rotinas ou rituais. Também incluem interesses intensos e fixos em temas específicos, além de reações extremas a estímulos sensoriais, como texturas ou sons.
Essas manifestações precisam estar presentes desde a infância. Além disso, só se tornam clinicamente relevantes quando impactam de forma significativa a convivência da criança em diferentes ambientes, como casa, escola ou contextos sociais. A avaliação também deve levar em conta o nível de desenvolvimento da criança e aspectos culturais.
Além disso, é importante considerar as condições comórbidas frequentemente associadas ao TEA. Deficiência intelectual e distúrbios de aprendizagem, por exemplo, são relativamente comuns, assim como a ocorrência de crises convulsivas, que podem acometer até 40% das crianças com TEA.
Diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista
O diagnóstico do TEA é clínico e feito com base nos critérios estabelecidos pelo Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5). Esses critérios exigem evidências de comprometimento persistente da comunicação e da interação social, além da presença de pelo menos dois comportamentos relacionados a padrões restritos e repetitivos.
Além disso, como parte do processo diagnóstico, os testes de rastreamento também podem integrar a avaliação. Um deles, sendo o Autism Diagnostic Observation Schedule-Second Edition (ADOS-2), normalmente aplicado por psicólogos e pediatras especializados. Em alguns casos, exames metabólicos e testes genéticos também podem ajudar a identificar doenças tratáveis ou condições hereditárias.
Tratamento do Transtorno
O tratamento dos Transtornos do Espectro Autista é, em geral, interdisciplinar, envolvendo médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e educadores. As abordagens terapêuticas se direcionam tanto para o desenvolvimento da comunicação e da linguagem quanto para aspectos comportamentais e funcionais.
As intervenções devem ser individualizadas, considerando o perfil do paciente, a intensidade das manifestações e o impacto do transtorno em sua rotina. O acompanhamento contínuo é fundamental para promover avanços na autonomia, no comportamento e nas habilidades sociais.
Quando iniciado precocemente, o tratamento contribui de forma significativa para o desenvolvimento motor, cognitivo, social e funcional ao longo da vida.
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